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Corporate FAQ2016-02-27T23:09:13+00:00
Proctalgia fugaz2020-07-31T13:00:12+01:00

O QUE É?

Faz parte das síndromes de dor anorectal funcional. É frequentemente negligenciada pelo próprio e pelo médico devida à sua natureza benigna e episódica. Mas em alguns casos pode ser bastante incapacitante.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Caracteriza-se por episódios intermitentes, mas severos, de dor anal ou rectal que não se relacionam com a defecação. Habitualmente duram cerca de 15 minutos e terminam espontaneamente.

A natureza transitória desses episódios dificulta a sua compreensão – o espasmo do esfíncter anal, a compressão ou alteração do nervo pudendo podem justificar esta dor. Há casos hereditários que se associam a obstipação. O médico utiliza critérios padronizados para o diagnóstico de proctalgia fugaz baseado nesses sintomas e na informação do toque rectal:

  • Episódio de dor aguda localizada no ânus ou recto baixo
  • Pode durar de segundos a minutos
  • Sem dor nos intervalos destes episódios esporádicos
  • Sem outras alterações que justifiquem a dor anorectal

QUE TESTES SÃO USADOS PARA FAZER O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico de proctalgia fugaz requer a exclusão de outras causas de dor anal ou rectal. Assim além da avaliação externa e toque rectal para excluir fissuras e hemorroidas, pode ser necessário realizar outros exames, simples e indolores:

  • Rectoscopia: consiste na introdução de um endoscópio no recto para excluir cancros
  • Ecografia endoanal: consiste na inserção de uma sonda ecográfica rígida no recto para excluir abcessos e fístulas
  • Manometria anorretal: consiste na inserção de um pequeno cateter no reto para avaliar a função e a coordenação do esfíncter anal e pavimento pélvico durante a defecação.

EXISTE TRATAMENTO ESPECÍFICO?

Infelizmente o tratamento da proctalgia fugaz continua a ser um desafio! Habitualmente, estes doentes não melhoram com medicação dirigida à dor.

A ênfase deve estar na tranquilização do doente e explicação dos sintomas.

Teste Respiratório para o Diagnóstico da Infeção pelo Helicobacter pylori2020-05-28T18:27:54+01:00

O QUE É A HELICOBACTER PYLORI?

A Helicobacter pylori é uma bactéria que infecta o estômago humano com elevada prevalência na população mundial. Apesar da sua infeção ser assintomática na grande maioria das pessoas, reconhece-se ser responsável por inflamação da mucosa gástrica (gastrite crónica), podendo condicionar também o aparecimento de úlceras no estômago ou duodeno. Também se trata de um fator de risco para alguns tumores do estômago.

COMO É FEITO O TESTE?

Para realizar o teste o doente deve estar em jejum de pelo menos 6 horas. O teste é feito através da administração oral dum líquido com vitamina C e a seguir dum comprimido com ureia marcada com carbono 13 (isótopo natural, estável e não radioativo), sendo este último doseado no ar expirado. A ureia é degradada por uma enzima da bactéria (urease), que não existe no ser humano, levando ao aparecimento de dióxido de carbono marcado no ar expirado. A toma de antibióticos e de anti secretores ácidos podem interferir no resultado. Como tal, este teste só deve ser realizado após 4 semanas sem tratamento sistémico com antibióticos e 2 semanas depois da última dose de medicamentos anti secretores ácidos (como: omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, lansoprazol, rabprazol). O teste é um método não invasivo, não doloroso, de fácil execução e ao contrário do método serológico (pesquisa do anticorpo no sangue), este teste negativa muito precocemente após tratamento de erradicação.

Testes Respiratórios de Hidrogénio e/ou Metano2020-05-28T18:25:12+01:00

O QUE SÃO?

Os testes respiratórios de hidrogénio e/ou metano, são exames não invasivos que se baseiam na medição dos níveis de hidrogénio e/ou metano no ar expirado, produzidos exclusivamente pelas bactérias do intestino quando expostas a um açúcar que não foi adequadamente digerido e/ou absorvido.

PARA QUE SÃO UTILIZADOS?

Os testes permitem avaliar se um indivíduo apresenta digestão anormal para o açúcar testado, como a lactose (o mais frequente – intolerância à lactose) ou a frutose.

Poderá também ser útil no diagnóstico de sobre crescimento bacteriano do intestino delgado, uma situação em que um número maior que o normal de colónias bacterianas está presente no intestino delgado.

Poderão ainda ter indicação no diagnóstico da passagem rápida dos alimentos através do intestino delgado – estudo do tempo de transito oro-cecal.

Todas estas três situações podem causar dor abdominal, enfartamento e distensão abdominal, flatulência (passagem de gás em grandes quantidades) e diarreia.

COMO É REALIZADO O TESTE?

Para realizar o teste respiratório, o doente deve estar em jejum de 12 horas. No início do teste sopra lentamente para um aparelho portátil, que mede a concentração inicial (basal) de hidrogênio. Depois ingere uma pequena quantidade do açúcar a ser testado (lactose, frutose, lactose, glicose, etc., dependendo do objetivo do exame). Amostras adicionais do ar expirado são analisadas e medidos os níveis de hidrogênio e/ou metano a cada 15 – 30 minutos por três a cinco horas.

Tempo de Trânsito Cólico2020-05-28T18:21:37+01:00

O QUE É?

O teste do tempo de trânsito cólico é um método não invasivo, bem tolerado pelo doente, que permite o estudo de distúrbios funcionais do cólon através da utilização de marcadores rádio-opacos (isto é, visíveis em radiografia do abdómen).  Trata-se dum procedimento sem dor, sem necessidade de sedação, que não requer jejum, apenas contraindicado em casos de gravidez. Após a ingestão dos marcadores o doente é submetido a radiografias simples do abdómen seriadas, que dão informação sobre o tempo de percurso dos mesmos ao longo do cólon. Assim poderão ser distinguidos padrões de tempo de transito normal, lento ou de obstipação terminal.

PARA QUE É UTILIZADO?

A principal indicação para realização deste exame é a obstipação crónica marcada, uma vez excluída uma causa mecânica como tumores, estenoses (apertos) do cólon ou doenças inflamatórias intestinais. É um exame simples que permite diagnosticar e indicar um tratamento correto para estes doentes.

pH Metria Esofágica de 24h (com ou sem impedância)2020-05-28T21:48:37+01:00

O QUE É?

A pHmetria esofágica de 24h é um exame complementar de diagnóstico que permite analisar o pH (grau de acidez) do refluxo do estômago para o esófago. Mais recentemente adicionou-se a este estudo a impedância, que permite analisar todos os episódios de refluxo do conteúdo do estômago para o esófago (ácido, não ácido ou até de gás).

PARA QUE SERVE?

A pHmetria esofágica de 24h permite diagnosticar a doença do refluxo gastro-esofágico e associar os seus sintomas (como a azia) a episódios de refluxo.

QUE CUIDADOS DEVO TER ANTES DO EXAME?

Para realizar a pHmetria esofágica deve estar em jejum pelo menos 4 horas antes do exame. Pode ser necessário parar medicamentos que diminuem a acidez do estômago, como os inibidores da bomba de protões (ex: omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, rabeprazol, lansoprazol). Aconselhe-se com o seu médico para saber se necessita de parar alguma medicação.

COMO SERÁ O EXAME?

Habitualmente a pHmetria esofágica realiza-se após uma manometria esofágica (cujo texto explicativo pode encontrar aqui). A manometria esofágica permite identificar a melhor localização para colocar a sonda de pHmetria.

A pHmetria esofágica consiste na introdução de uma sonda muito fina (um tubo de plástico) por uma das narinas. Ficará com a sonda colocada durante 24 horas para permitir registar o refluxo existente nesse período e a sua acidez. A sonda é fixada por exemplo ao nariz, face ou orelha para garantir que não se move durante as 24 horas. A sonda encontra-se ligada a um pequeno aparelho portátil que regista o refluxo e no qual poderá introduzir várias informações: quando começa e termina uma refeição, quando se deita ou levanta, quando sente sintomas, entre outros. Ser-lhe-ão fornecidas informações sobre como usar o aparelho.

É importante que durante as 24h do exame faça a sua vida normal. Não poderá tomar banho durante essas 24h para não danificar o aparelho portátil. Passadas as 24 horas deve regressar ao local do exame para ser retirada a sonda.

Não é possível realizar este exame com anestesia ou sedação uma vez que é necessária a sua colaboração durante o exame.

QUE RISCOS ESTÃO ASSOCIADOS A ESTE EXAME?

A colocação da sonda de pHmetria não é habitualmente dolorosa por se tratar de uma sonda extremamente fina. No entanto, raramente, pode causar algum desconforto ou náusea na sua passagem pelo nariz e garganta, podendo ser utilizada uma anestesia local. Raramente pode ocorrer um ligeiro sangramento no nariz ou tosse irritativa, que são autolimitados. Se a sonda sair acidentalmente durante as 24 horas do exame, guarde-a bem acondicionada, aponte a hora em que ocorreu a saída e regresse ao local do exame com todo o equipamento logo que possível.

Manometria Ano-rectal2020-05-28T18:32:19+01:00

O QUE É?

A manometria é uma técnica de diagnóstico incluída nos estudos funcionais que permite avaliar a fisiologia ano-rectal. Na última década a manometria ano-rectal sofreu um grande desenvolvimento com a manometria de alta de resolução que tornou mais compreensível e intuitiva a fisiologia e dinâmica ano-rectal e os seus mecanismos de doença.

PARA QUE SERVE?

As principais indicações para a manometria ano-rectal são o estudo da incontinência fecal, o estudo da obstipação crónica e a avaliação de alguns casos pré e pós-cirúrgicos ano-rectais.

COMO SERÁ O EXAME?

Este exame realiza-se com o doente deitado lateralmente. É introduzida uma sonda com um número variável de sensores e com um balão acoplado – serve para avaliar a força muscular (pressão), avaliar a integridade dos circuitos nervosos (reflexos ano-rectais) e avaliar a sensibilidade ano-rectal. Serão dadas algumas indicações ao doente sobre manobras musculares (como “agora contrair” e “por favor relaxar”) a realizar ao longo do procedimento.

O exame dura em média 30 a 45 minutos e é bem tolerado, não necessitando de sedação.

Antes da manometria ano-rectal, não necessita de jejum. O doente deve fazer uma limpeza rectal retrógrada (pelo ânus). É realizado toque rectal com lubrificante antes da introdução da sonda.

Biofeedback Ano-rectal2020-05-28T18:29:15+01:00

O QUE É?

A reabilitação funcional do soalho pélvico inclui modalidades terapêuticas como o biofeedback ano-rectal. O biofeedback ano-rectal consiste no treino muscular localizado em que a consciencialização muscular ano-rectal é dada ao doente por sinais visuais ou auditivos. O que é que isto significa? Nas sessões de biofeedback ano-rectal o doente aprenderá (com autonomia crescente) a ouvir ou ver num monitor as suas respostas musculares às indicações que lhe são fornecidas (contrair / relaxar por exemplo) pelo profissional de saúde. Assim sob supervisão profissional habilitada, o doente torna-se capaz de compreender e treinar a força e a sensibilidade do seu soalho pélvico.

PARA QUE SERVE?

Algumas das indicações do biofeedback anorretal incluem o tratamento da contração ano-rectal paradoxal, o tratamento da incontinência fecal, da dor retal crónica, da proctalgia fugaz, da úlcera solitária do recto.

COMO SERÁ O EXAME?

Este exame realiza-se com o doente deitado de lado, introduzindo no ânus uma sonda específica. O doente visualiza no monitor as variações de pressão no canal anal e no reto e é realizado treino específico para a sua patologia. Este treino é realizado com o doente acordado, sendo habitualmente bem tolerado. São programadas em média 4 a 8 sessões terapêuticas (habitualmente 2 sessões semanais de cerca de 20 minutos cada).

Antes do biofeedback ano-rectal, não necessita de jejum. O doente deve fazer uma limpeza rectal retrógrada (pelo ânus). É realizado toque rectal com lubrificante antes da introdução da sonda.

Síndrome do Intestino Irritável2020-05-28T18:14:19+01:00

O QUE É?

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma patologia crónica que afeta o tubo digestivo. Estima-se que afete mais de 1 em cada 10 adultos em todo o mundo e é mais frequente em mulheres.

A causa não é totalmente compreendida, mas sabe-se que resulta da interação entre o cérebro e o intestino. Fatores como alterações da motilidade intestinal, da microbiota intestinal, a hipersensibilidade visceral e o stress podem desempenhar um papel. A associação com patologias como a ansiedade e depressão é comum, apesar de estas não serem a causa da SII.

QUAIS OS SINTOMAS DA SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL?

A dor abdominal crónica e recorrente é o principal sintoma da síndrome, surgindo associada a alterações do trânsito intestinal, diarreia e/ou obstipação. Frequentemente ocorrem, também, sensação de distensão abdominal e gases. Os sintomas podem ter períodos de agravamento e de alívio e podem ser desencadeados por alguns alimentos e situações de stress.

COMO É FEIRO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é feito através da avaliação clínica pelo médico, não existindo nenhum exame específico para o diagnóstico da SII. Em alguns casos, o médico poderá ponderar a realização de estudos complementares para excluir outras doenças.

EXISTE TRATAMENTO PARA A SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL?

A síndrome do intestino irritável tem, habitualmente, um curso crónico e não existe nenhum tratamento eficaz para todos os doentes, devendo ser individualizado. A maioria dos doentes consegue um bom controlo dos sintomas com modificações no estilo de vida e alimentação, por vezes, com o apoio de fármacos e tratamentos psicológicos.

A prática de exercício físico regular e modificações na alimentação com aumento da ingestão de água e evicção de alimentos que possam desencadear os sintomas podem ser benéficos. O apoio de um Nutricionista pode ser útil.

Quando necessários, existem tratamentos farmacológicos seguros e eficazes para a SII. Estes podem ser dirigidos ao alívio da dor, como analgésicos e antiespasmódicos, ao tratamento da diarreia ou da obstipação, ou à modulação da microbiota intestinal, como probióticos ou antibióticos com ação local.

A SÍNDROME DO INTESTINO IRRTIÁVEL TEM IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA?

A síndrome do intestino irritável pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes afetados. A dor abdominal e as alterações do trânsito intestinal podem ser incapacitantes e condicionar absentismo laboral e procura frequente de recursos de saúde.

Relativamente ao prognóstico da SII, salienta-se que não tem risco de evoluir para cancro colorretal nem para doenças inflamatórias do intestino.

Prurido Anal2020-05-28T16:41:41+01:00

O QUE É?

O prurido anal corresponde à presença de comichão intensa no ânus ou na pele em seu redor. É uma sensação desagradável que alivia com o ato de coçar. O prurido anal pode causar desconforto e situações embaraçosas em contextos sociais.

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

O prurido anal pode ter múltiplas causas: hemorróidas (veias inchadas no reto, que também podem causar dor no ânus ou perda de sangue), infeções (como fungos (como a candidíase), bactérias, vírus (como os condilomas) ou parasitas (como a sarna ou as lombrigas)), presença de fezes/secreções na pele em redor do ânus (pode acontecer em casos de diarreia), algumas comidas que irritam a pele e o ânus (como o café, chá, cerveja, chocolate, leite, tomates e citrinos, comida condimentada), doenças do ânus (como abcessos, fístulas, fissuras ou tumores) e doenças de pele (como a psoríase).

COMO SE ESTUDA?

O estudo do prurido anal começa por uma avaliação do ânus e pele em seu redor, assim como de toque retal. Pode ser necessária a realização de colonoscopia total (introdução de um aparelho com câmara para inspecionar o intestino grosso) ou estudo de infeções nas fezes.

COMO SE TRATA?

A abordagem do prurido anal começa por manter a pele e o ânus limpos e secos, sendo importante haver uma limpeza cuidada após cada ida à casa de banho: por exemplo, lavagem com água após cada dejeção usando sabão simples, secar bem a pele com toalha, podendo ainda aplicar pó de talco para manter a zona seca. É também importante o uso de roupa interior de algodão para evitar irritações da pele.

Podem ser utilizadas pomadas para a comichão, nomeadamente pomadas com cortisona, que devem ser aplicadas por um curto período de tempo (menos de 2 semanas) para evitar efeitos secundários. Também podem ser aplicadas pomadas cicatrizantes à base de óxido de zinco (como o Halibut®).

Se o prurido for maioritariamente durante a noite, pode ser benéfico a toma de medicamentos como anti-histamínicos.

Se o prurido estiver relacionado com algum alimento da dieta pode ser benéfico suspender o consumo desse alimento.

Se existir uma causa identificada para o prurido, como hemorróidas ou uma infeção, poderá ser feito um tratamento dirigido à doença em causa.

No caso de prurido anal refratário existem outros tratamentos, contacte o seu médico assistente para mais informações.

Obstipação2020-05-28T20:43:16+01:00

O QUE É?

A obstipação, vulgarmente denominada “prisão de ventre”, é um problema frequente que se associa à dificuldade em evacuar. Define-se como defecação infrequente (menos do que 3 dejeções por semana) ou à presença de esforço defecatório ou fezes muito duras ou pequenas que são difíceis de expelir.

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

A obstipação pode ter múltiplas causas: pode ser um efeito secundário de medicamentos (como medicamentos para controlar a dor, antidepressivos, ferro oral, entre outros), pode estar associada a uma dieta pobre em fibras ou pode estar relacionada com doenças do sistema digestivo, entre outras.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS?

A obstipação pode ser bastante incomodativa e associar-se a outros sintomas como dor de barriga ou distensão abdominal.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS / SINAIS DE ALARME ASSOCIADOS À OBSTIPAÇÃO?

Alguns sintomas ou sinais associados à obstipação podem sinalizar um problema que necessite de investigação como presença de sangue nas fezes, febre ou perda de peso.

COMO SE ESTUDA?

O estudo da obstipação começa por uma avaliação do ânus e toque rectal. Pode ser necessária a realização de colonoscopia total (introdução de um aparelho com câmara para inspecionar o intestino grosso), estudo do trânsito cólico (cujo texto explicativo pode encontrar aqui) e/ou estudos da função defecatória como manometria anoretal (cujo texto explicativo pode encontrar aqui).

COMO SE TRATA?

O tratamento da obstipação deve ser multifatorial e ter em conta o motivo da mesma. O tratamento inicial inclui alterações do estilo de vida tais como exercício físico regular e aumento do aporte de fibras (incluindo frutas, vegetais e cereais) e água na dieta. É também importante reforçar medidas como criar uma rotina (ida à casa de banho quando tem vontade).

Se estas medidas não forem suficientes podem ser iniciados laxantes, como é o caso do polietilenoglicol/macrogol ou lactulose (laxantes osmóticos) ou sene e bisacodilo (laxantes estimulantes). Os laxantes podem ser administrados por via oral ou por via retal (enemas ou supositórios).

No caso de obstipação refratária existem outros tratamentos, contacte o seu médico assistente para mais informações.

TENHO OBSTIPAÇÃO, DEVO CONSULTAR UM MÉDICO?

Deve consultar um médico se os sintomas são novos ou não habituais para si, está obstipado há vários dias sem conseguir resolver o problema com a medicação habitual, tem dor abdominal intensa associada, tem outros sintomas que o preocupam (como perda de sangue nas fezes ou perda de peso) ou tem familiares com cancro do cólon.

Disfagia2020-05-28T16:01:47+01:00

O QUE É?

A disfagia refere-se à dificuldade na passagem de alimentos líquidos ou sólidos da boca até ao estomago. É mais frequente na população mais idosa pela elevada incidência de doenças do sistema nervoso bem como pelo próprio processo de envelhecimento.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS?

A disfagia poderá conduzir a uma diminuição da ingestão de alimentos com consequente desnutrição e desidratação. A incorreta passagem dos mesmos para as vias respiratórias pode conduzir ao aparecimento de pneumonias ou mesmo asfixia.  Destaca-se ainda o potencial impacto negativo na qualidade de vida que a disfagia poderá ter, com consequências na vida pessoal, profissional e social.

COMO SE ESTUDA?

O médico assistente realizará a sua avaliação inicial com base na história das queixas e observação clínica. Em função disso irá definir quais os exames mais adequados. Regra geral, é necessária a exclusão de um obstáculo físico, como um tumor ou uma estenose (aperto), pelo que a endoscopia digestiva alta surge tipicamente como primeira opção. Na ausência de um obstáculo, as queixas podem estar relacionadas com alterações no funcionamento dos órgãos responsáveis pelo processo de deglutição (ou seja processo de engolir), nomeadamente a faringe e o esófago. Neste sentido poderão ser necessários estudos funcionais do esófago (como a manometria esofágica) ou estudos da deglutição por radiologia.

COMO SE TRATA?

O tratamento da disfagia depende da sua causa. Se for devido a um obstáculo, a terapêutica será dirigida à sua resolução ou alívio, o que poderá ser feito por endoscopia, cirurgia ou outra técnica. Se se detetarem alterações significativas na motilidade do esófago poderão ser usados medicamentos, procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos para o alívio dos sintomas. Em certos casos, como em situações que ocorrem após um acidente vascular cerebral, poderão ser prescritos exercícios de reabilitação da deglutição.

Caso sinta dificuldade em engolir contacte sempre o seu médico assistente, pois trata-se dum sintoma que convém ser esclarecido.

 

Manometria Esofágica2020-05-28T20:49:15+01:00

O QUE É?

A manometria esofágica é um exame complementar de diagnóstico que permite avaliar o movimento (motilidade) do esófago, que corresponde ao órgão que liga a garganta ao estômago.

PARA QUE SERVE?

A manometria esofágica permite diagnosticar doenças da motilidade do esófago. É frequentemente pedida em pessoas com dificuldade em engolir alimentos ou líquidos (disfagia), assim como em indivíduos com suspeita de doença de refluxo gastro-esofágico. Nestes últimos, este exame é realizado juntamente com a pHmetria esofágica de 24h (cujo texto explicativo pode encontrar aqui). A manometria esofágica permite diagnosticar doenças como a acalásia.

QUE CUIDADOS DEVO TER ANTES DO EXAME?

Para a manometria esofágica deve estar em jejum pelo menos 4 horas antes do exame. Normalmente não é necessário parar nenhuma medicação previamente ao exame.

COMO SERÁ O EXAME?

A manometria esofágica consiste na introdução de uma sonda (um tubo de plástico) fina e flexível por uma das narinas. Essa sonda irá passar pela garganta, por todo o esófago, até chegar ao estômago. Esta sonda encontra-se ligada a um aparelho que permite analisar os movimentos do esófago em toda a sua extensão.

Durante o exame ser-lhe-á dado a beber água ou soro para analisar o funcionamento do esófago. Em algumas situações poder-lhe-ão pedir para engolir uma gelatina/iogurte ou mesmo uma refeição sólida (como pão).

No final do exame a sonda será retirada. O exame dura habitualmente menos de 30 minutos e depois poderá retomar a sua atividade habitual.

Não é possível realizar este exame com anestesia ou sedação uma vez que é necessária a sua colaboração durante o exame.

QUE RISCOS ESTÃO ASSOCIADOS A ESTE EXAME?

A colocação da sonda não é habitualmente dolorosa, podendo causar algum desconforto ou náusea na sua passagem pelo nariz e garganta, podendo ser utilizada uma anestesia tópica. Raramente pode ocorrer um ligeiro sangramento no nariz ou tosse irritativa, que são autolimitados. Uma vez a sonda colocada, o resto do exame é habitualmente bem tolerado.

Distúrbios Defectórios2020-05-28T15:58:21+01:00

O QUE SÃO OS DISTÚRBIOS DEFECATÓRIOS?

A obstipação crónica pode ter uma causa primária (funcional) ou secundária (atribuída a outra doença ou a um efeito secundário da medicação). Os distúrbios defecatórios são uma causa primária de obstipação crónica e resultam de alterações da função do reto, ânus e pavimento pélvico que causam dificuldade na expulsão das fezes. Para o diagnóstico é necessário a presença de sintomas, há pelo menos 6 meses, e um movimento evacuatório inadequado confirmado em testes anorretais.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Os sintomas podem variar, sendo os mais frequentes a sensação de evacuação incompleta ou de obstrução anorretal, esforço prolongado para defecar, necessidade de pressionar a vagina ou o ânus para facilitar a expulsão das fezes, fezes endurecidas ou fragmentadas e frequência das evacuações inferior a três vezes por semana.

Na presença de sinais de alarme (sangue nas fezes, dor intensa a defecar, alteração recente do trânsito intestinal, emagrecimento, falta de apetite) devem ser excluídas outras doenças.

EXISTEM COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS AOS DISTÚRBIOS DEFECATÓRIOS?

Os distúrbios defecatórios podem ter um impacto muito negativo na qualidade de vida, mas habitualmente não implicam risco de vida. A obstipação crónica pode resultar em distensão abdominal, gases, hemorroidas, fissura anal, prolapso retal (exteriorização de tecido retal pelo ânus), úlcera retal e impactamento fecal (acumulação de fezes secas e duras no cólon ou reto, que causa obstrução).

QUE TESTES SÃO USADOS PARA FAZER O DIAGNÓSTICO?

Para o diagnóstico é fundamental avaliar os sintomas, conhecer a história pessoal e familiar, identificar a medicação crónica e realizar um exame físico completo que inclui uma avaliação anorretal. O toque retal pode sugerir a presença de um Distúrbio Defecatório, excluir outras doenças e detetar complicações associadas à obstipação crónica. Para confirmar a presença de um Distúrbio Defecatório é necessário realizar outros Testes Anorretais, igualmente simples e praticamente indolores:

– Teste de expulsão do balão – permite avaliar a capacidade de expulsão de um pequeno balão inserido no reto.

– Manometria anorretal – consiste na inserção de um pequeno cateter no reto e permite avaliar a função e a coordenação do esfíncter anal e pavimento pélvico durante a defecação.

– Defecografia – é um método radiológico que permite avaliar a função e estrutura do reto e pavimento pélvico durante a simulação do movimento evacuatório.

EXISTE TRATAMENTO ESPECÍFICO PARA OS DISTÚRBIOS DEFECATÓRIOS?

Habitualmente, os doentes com distúrbios defecatórios não melhoram após a terapêutica com laxantes. A técnica de Biofeedback anorretal é o tratamento mais indicado para melhorar os sintomas e a qualidade de vida de forma duradoura. Consiste em treinar os músculos do pavimento pélvico e do esfíncter anorretal de forma a corrigir o movimento defecatório com apoio profissional. O tratamento cirúrgico poderá ser necessário em casos raros.

COMO POSSO PREVENIR?

Discipline os seus hábitos alimentares! Aumente a ingestão de água e de alimentos ricos em fibra, que inclui cereais, fruta fresca e vegetais. Se necessário, acrescente gradualmente suplementos de fibra;

Mantenha-se ativo! Faça atividade física moderada e regular (caminhadas, corrida, natação);

Eduque o seu intestino! Não ignore a sensação da necessidade de evacuar, estabeleça uma rotina diária para tentar defecar sempre à mesma hora (após o pequeno almoço ou outra refeição principal); aguarde pelo menos 15 a 20 minutos, mas sem fazer esforço para defecar.

Corrija a sua postura! Coloque um banco por baixo dos pés e incline o tronco a 35º. Esta postura ajuda o reto a relaxar, facilita a defecação e previne lesões do ânus e reto.

Evite medicação que cause obstipação! Reveja a sua medicação habitual com o seu médico assistente de modo a perceber se podem ser a causa da obstipação.

O que é o Microbioma Intestinal?2020-05-29T11:54:55+01:00

A IMPORTÂNCIA DO MICROBIOMA NA SAÚDE DIGESTIVA

O tubo digestivo humano alberga no seu interior uma comunidade imensa de microrganismos, composta por bactérias, vírus e fungos entre outros, que em conjunto com os seus genes e condições ambientais envolventes formam o chamado Microbioma Intestinal. Estes micróbios colonizam de forma distinta os vários segmentos do trato gastrointestinal sendo a região do cólon aquela que se encontra mais densamente povoada. O número de células microbianas é idêntico ao número de células humanas, sendo o Microbioma Intestinal considerado mais um órgão, perfeitamente integrado na fisiologia do corpo humano. A nível genético é interessante verificar que sendo o Microbioma Intestinal constituído por cerca de 3 milhões de genes e o genoma humano por cerca de 23.000 genes, podemos inferir que os humanos são desta forma 99% microbianos. Uma pessoa com cerca de 70 Kg convive com várias dezenas de triliões de microrganismos no seu tubo digestivo, pesando estes cerca de 1 a 2 Kg, aproximadamente o peso dum cérebro. As bactérias são os seres predominantes e mais estudados deste ecossistema no qual se diferenciam cerca de 1000 espécies distintas.

Estudos recentes revelam que a formação do Microbioma Intestinal se inicia ainda no útero materno. A quando do nascimento muitos fatores vão influenciar o desenvolvimento do Microbioma, entre os quais se apontam o tipo de parto, vaginal versus cesariana e a amamentação, materna ou artificial. Por volta dos 2 a 3 anos a criança apresenta já um Microbioma idêntico ao de um adulto, o qual se manterá sensivelmente estável ao longo da sua vida. Apesar de um terço do Microbioma ser comum à maioria das pessoas a sua composição é única, tal como uma impressão digital.

Não existe consenso para definir um Microbioma intestinal “normal”, apesar de ser esta uma área de investigação ativa. Algumas características têm sido propostas para considerar o Microbioma como “saudável”, nomeadamente a riqueza e diversidade de espécies, a sua resistência e estabilidade ao longo do tempo e a riqueza de genes microbianos. Influenciam a composição do Microbioma fatores que dependem do individuo como: (1) hábitos alimentares e forma de confecionar os alimentos; (2) medicação (antibióticos, supressores da acidez gástrica, antidiabéticos orais…); (3) ambiente (rural versus urbano) e estilo de vida (exercício físico versus sedentarismo); (4) aumento de peso; e fatores que não dependem do individuo como: (1) genética; (2) idade gestacional (termo versus pré-termo); (3) envelhecimento.

Existe um relacionamento complexo bidirecional entre o Microbioma Intestinal e o hospedeiro, que é vital para a saúde. Entre as suas funções primordiais destacam-se: (1) papel na nutrição – digestão de alguns alimentos não digeríveis pelo ser humano (ex. fibras), absorção de alguns minerais (ex. magnésio, cálcio e ferro), síntese de algumas vitaminas (ex. vitamina K e ácido fólico) e aminoácidos, regulação do metabolismo; (2) papel de defesa – proteção contra microrganismos patogénicos, degradação de compostos tóxicos, modulação da resposta imune; (3) papel no comportamento – influenciar o humor e a função cerebral.

O desequilíbrio na composição do Microbioma Intestinal pode condicionar o aparecimento e/ou agravamento de várias doenças, não só a nível do tubo digestivo, mas também noutros órgãos ou sistemas. Diferentes estudos de investigação têm relacionado o papel do Microbioma com patologias diversas como a síndrome do intestino irritável e outros distúrbios funcionais gastrointestinais, a doença inflamatória do intestino (Doença de Crohn e Colite ulcerosa), a obesidade, o fígado gordo, a diabetes e algumas alterações do comportamento como o autismo.

A modificação da dieta constitui o fator mais importante para manter um bom funcionamento do Microbioma Intestinal. Desta forma aconselha-se a ingestão duma dieta que promova o crescimento de bactérias saudáveis, a qual deve incluir: (1) grande variedade de alimentos, em particular legumes, leguminosas e fruta; (2) alimentos fermentados como iogurtes e Keffir; (3) diminuição da ingestão de adoçantes artificiais tais como o aspartato; (4) alimentos prebióticos como bananas, aspargos, maçãs, alcachofra, aveia; (5) grãos integrais como arroz integral, trigo sarraceno, milho; (6) alimentos ricos em polifenóis como o chá verde, chocolate negro, azeite. Para além da dieta, a mudança de estilo de vida, com a prática de exercício físico adequado, ritmos de sono regulares e redução da exposição ao stress, pode também melhorar o Microbioma Intestinal e dessa forma proporcionar um maior bem-estar geral.

Não esquecer que o que cada pessoa come diariamente não alimenta apenas o seu corpo, mas nutre também vários triliões de microrganismos que habitam o seu tubo digestivo e sem os quais seria difícil sobreviver. Apesar da crescente evidência científica continua elevada a especulação sobre o papel dos microrganismos intestinais na saúde e na doença. Muito ainda se desconhece acerca do Microbioma Intestinal que continua um campo de investigação científica desafiante e deveras promissor.

Parafraseando Hipócrates (pai da medicina do século III a. C.) “Todas as doenças começam no intestino e da mesma maneira a Cura também começa lá!” poder-se-á considerar que a chave do enigma se encontra no Microbioma Intestinal. A resposta talvez surja num futuro a médio prazo! Entretanto cuidemos do nosso Microbioma!

Dr. Eduardo Pires, presidente do Núcleo de Neurogastrenterologia e Motilidade Digestiva 

Bibliografia:

1 – Grace C.A. Manley, Yuan-Kun Lee, Yongliang Zhang. Gut microbiota and immunology of the gastrointestinal tract.Clinical and Basic Neurogastroenterology and Motility. 2020;63-78

2 – V. Robles-Alonso, F. Guarner Aguilar. Estrutura y funciones de la microbiota intestinal humana. Tratado de Neurogastroenterologia Y Motilidad Digestiva. 2015;77-88

3 – E. Quigley, G. Barbara, C Feinle-Bisset, U. Ghoshal, J Santos, S Vanner, N Vergnolle, E. Zoetendal. Luminal factor 2: The microbiota and its metabolic interations. The intestinal microenvironment and functional gastrointestinal disorders. Rome IV – Functional Gastrointestinal Disorders – Disorders of Gut-Brain interaction. 2016; Vol I;190-197

4 – Gut microbiota info. Gut microbiota for health by ESNM (European Society of Neurogastroenterology and Motility). https://www.gutmicrobiotaforhealth.com/about-gut-microbiota-info/