A Minha Doença

A Minha Doença2020-05-28T16:14:34+01:00
Disfagia2020-05-28T16:01:47+01:00

O QUE É?

A disfagia refere-se à dificuldade na passagem de alimentos líquidos ou sólidos da boca até ao estomago. É mais frequente na população mais idosa pela elevada incidência de doenças do sistema nervoso bem como pelo próprio processo de envelhecimento.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS?

A disfagia poderá conduzir a uma diminuição da ingestão de alimentos com consequente desnutrição e desidratação. A incorreta passagem dos mesmos para as vias respiratórias pode conduzir ao aparecimento de pneumonias ou mesmo asfixia.  Destaca-se ainda o potencial impacto negativo na qualidade de vida que a disfagia poderá ter, com consequências na vida pessoal, profissional e social.

COMO SE ESTUDA?

O médico assistente realizará a sua avaliação inicial com base na história das queixas e observação clínica. Em função disso irá definir quais os exames mais adequados. Regra geral, é necessária a exclusão de um obstáculo físico, como um tumor ou uma estenose (aperto), pelo que a endoscopia digestiva alta surge tipicamente como primeira opção. Na ausência de um obstáculo, as queixas podem estar relacionadas com alterações no funcionamento dos órgãos responsáveis pelo processo de deglutição (ou seja processo de engolir), nomeadamente a faringe e o esófago. Neste sentido poderão ser necessários estudos funcionais do esófago (como a manometria esofágica) ou estudos da deglutição por radiologia.

COMO SE TRATA?

O tratamento da disfagia depende da sua causa. Se for devido a um obstáculo, a terapêutica será dirigida à sua resolução ou alívio, o que poderá ser feito por endoscopia, cirurgia ou outra técnica. Se se detetarem alterações significativas na motilidade do esófago poderão ser usados medicamentos, procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos para o alívio dos sintomas. Em certos casos, como em situações que ocorrem após um acidente vascular cerebral, poderão ser prescritos exercícios de reabilitação da deglutição.

Caso sinta dificuldade em engolir contacte sempre o seu médico assistente, pois trata-se dum sintoma que convém ser esclarecido.

 

Distúrbios Defectórios2020-05-28T15:58:21+01:00

O QUE SÃO OS DISTÚRBIOS DEFECATÓRIOS?

A obstipação crónica pode ter uma causa primária (funcional) ou secundária (atribuída a outra doença ou a um efeito secundário da medicação). Os distúrbios defecatórios são uma causa primária de obstipação crónica e resultam de alterações da função do reto, ânus e pavimento pélvico que causam dificuldade na expulsão das fezes. Para o diagnóstico é necessário a presença de sintomas, há pelo menos 6 meses, e um movimento evacuatório inadequado confirmado em testes anorretais.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Os sintomas podem variar, sendo os mais frequentes a sensação de evacuação incompleta ou de obstrução anorretal, esforço prolongado para defecar, necessidade de pressionar a vagina ou o ânus para facilitar a expulsão das fezes, fezes endurecidas ou fragmentadas e frequência das evacuações inferior a três vezes por semana.

Na presença de sinais de alarme (sangue nas fezes, dor intensa a defecar, alteração recente do trânsito intestinal, emagrecimento, falta de apetite) devem ser excluídas outras doenças.

EXISTEM COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS AOS DISTÚRBIOS DEFECATÓRIOS?

Os distúrbios defecatórios podem ter um impacto muito negativo na qualidade de vida, mas habitualmente não implicam risco de vida. A obstipação crónica pode resultar em distensão abdominal, gases, hemorroidas, fissura anal, prolapso retal (exteriorização de tecido retal pelo ânus), úlcera retal e impactamento fecal (acumulação de fezes secas e duras no cólon ou reto, que causa obstrução).

QUE TESTES SÃO USADOS PARA FAZER O DIAGNÓSTICO?

Para o diagnóstico é fundamental avaliar os sintomas, conhecer a história pessoal e familiar, identificar a medicação crónica e realizar um exame físico completo que inclui uma avaliação anorretal. O toque retal pode sugerir a presença de um Distúrbio Defecatório, excluir outras doenças e detetar complicações associadas à obstipação crónica. Para confirmar a presença de um Distúrbio Defecatório é necessário realizar outros Testes Anorretais, igualmente simples e praticamente indolores:

– Teste de expulsão do balão – permite avaliar a capacidade de expulsão de um pequeno balão inserido no reto.

– Manometria anorretal – consiste na inserção de um pequeno cateter no reto e permite avaliar a função e a coordenação do esfíncter anal e pavimento pélvico durante a defecação.

– Defecografia – é um método radiológico que permite avaliar a função e estrutura do reto e pavimento pélvico durante a simulação do movimento evacuatório.

EXISTE TRATAMENTO ESPECÍFICO PARA OS DISTÚRBIOS DEFECATÓRIOS?

Habitualmente, os doentes com distúrbios defecatórios não melhoram após a terapêutica com laxantes. A técnica de Biofeedback anorretal é o tratamento mais indicado para melhorar os sintomas e a qualidade de vida de forma duradoura. Consiste em treinar os músculos do pavimento pélvico e do esfíncter anorretal de forma a corrigir o movimento defecatório com apoio profissional. O tratamento cirúrgico poderá ser necessário em casos raros.

COMO POSSO PREVENIR?

Discipline os seus hábitos alimentares! Aumente a ingestão de água e de alimentos ricos em fibra, que inclui cereais, fruta fresca e vegetais. Se necessário, acrescente gradualmente suplementos de fibra;

Mantenha-se ativo! Faça atividade física moderada e regular (caminhadas, corrida, natação);

Eduque o seu intestino! Não ignore a sensação da necessidade de evacuar, estabeleça uma rotina diária para tentar defecar sempre à mesma hora (após o pequeno almoço ou outra refeição principal); aguarde pelo menos 15 a 20 minutos, mas sem fazer esforço para defecar.

Corrija a sua postura! Coloque um banco por baixo dos pés e incline o tronco a 35º. Esta postura ajuda o reto a relaxar, facilita a defecação e previne lesões do ânus e reto.

Evite medicação que cause obstipação! Reveja a sua medicação habitual com o seu médico assistente de modo a perceber se podem ser a causa da obstipação.

Obstipação2020-05-28T20:43:16+01:00

O QUE É?

A obstipação, vulgarmente denominada “prisão de ventre”, é um problema frequente que se associa à dificuldade em evacuar. Define-se como defecação infrequente (menos do que 3 dejeções por semana) ou à presença de esforço defecatório ou fezes muito duras ou pequenas que são difíceis de expelir.

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

A obstipação pode ter múltiplas causas: pode ser um efeito secundário de medicamentos (como medicamentos para controlar a dor, antidepressivos, ferro oral, entre outros), pode estar associada a uma dieta pobre em fibras ou pode estar relacionada com doenças do sistema digestivo, entre outras.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS?

A obstipação pode ser bastante incomodativa e associar-se a outros sintomas como dor de barriga ou distensão abdominal.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS / SINAIS DE ALARME ASSOCIADOS À OBSTIPAÇÃO?

Alguns sintomas ou sinais associados à obstipação podem sinalizar um problema que necessite de investigação como presença de sangue nas fezes, febre ou perda de peso.

COMO SE ESTUDA?

O estudo da obstipação começa por uma avaliação do ânus e toque rectal. Pode ser necessária a realização de colonoscopia total (introdução de um aparelho com câmara para inspecionar o intestino grosso), estudo do trânsito cólico (cujo texto explicativo pode encontrar aqui) e/ou estudos da função defecatória como manometria anoretal (cujo texto explicativo pode encontrar aqui).

COMO SE TRATA?

O tratamento da obstipação deve ser multifatorial e ter em conta o motivo da mesma. O tratamento inicial inclui alterações do estilo de vida tais como exercício físico regular e aumento do aporte de fibras (incluindo frutas, vegetais e cereais) e água na dieta. É também importante reforçar medidas como criar uma rotina (ida à casa de banho quando tem vontade).

Se estas medidas não forem suficientes podem ser iniciados laxantes, como é o caso do polietilenoglicol/macrogol ou lactulose (laxantes osmóticos) ou sene e bisacodilo (laxantes estimulantes). Os laxantes podem ser administrados por via oral ou por via retal (enemas ou supositórios).

No caso de obstipação refratária existem outros tratamentos, contacte o seu médico assistente para mais informações.

TENHO OBSTIPAÇÃO, DEVO CONSULTAR UM MÉDICO?

Deve consultar um médico se os sintomas são novos ou não habituais para si, está obstipado há vários dias sem conseguir resolver o problema com a medicação habitual, tem dor abdominal intensa associada, tem outros sintomas que o preocupam (como perda de sangue nas fezes ou perda de peso) ou tem familiares com cancro do cólon.

Proctalgia fugaz2020-07-31T13:00:12+01:00

O QUE É?

Faz parte das síndromes de dor anorectal funcional. É frequentemente negligenciada pelo próprio e pelo médico devida à sua natureza benigna e episódica. Mas em alguns casos pode ser bastante incapacitante.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Caracteriza-se por episódios intermitentes, mas severos, de dor anal ou rectal que não se relacionam com a defecação. Habitualmente duram cerca de 15 minutos e terminam espontaneamente.

A natureza transitória desses episódios dificulta a sua compreensão – o espasmo do esfíncter anal, a compressão ou alteração do nervo pudendo podem justificar esta dor. Há casos hereditários que se associam a obstipação. O médico utiliza critérios padronizados para o diagnóstico de proctalgia fugaz baseado nesses sintomas e na informação do toque rectal:

  • Episódio de dor aguda localizada no ânus ou recto baixo
  • Pode durar de segundos a minutos
  • Sem dor nos intervalos destes episódios esporádicos
  • Sem outras alterações que justifiquem a dor anorectal

QUE TESTES SÃO USADOS PARA FAZER O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico de proctalgia fugaz requer a exclusão de outras causas de dor anal ou rectal. Assim além da avaliação externa e toque rectal para excluir fissuras e hemorroidas, pode ser necessário realizar outros exames, simples e indolores:

  • Rectoscopia: consiste na introdução de um endoscópio no recto para excluir cancros
  • Ecografia endoanal: consiste na inserção de uma sonda ecográfica rígida no recto para excluir abcessos e fístulas
  • Manometria anorretal: consiste na inserção de um pequeno cateter no reto para avaliar a função e a coordenação do esfíncter anal e pavimento pélvico durante a defecação.

EXISTE TRATAMENTO ESPECÍFICO?

Infelizmente o tratamento da proctalgia fugaz continua a ser um desafio! Habitualmente, estes doentes não melhoram com medicação dirigida à dor.

A ênfase deve estar na tranquilização do doente e explicação dos sintomas.

Prurido Anal2020-05-28T16:41:41+01:00

O QUE É?

O prurido anal corresponde à presença de comichão intensa no ânus ou na pele em seu redor. É uma sensação desagradável que alivia com o ato de coçar. O prurido anal pode causar desconforto e situações embaraçosas em contextos sociais.

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

O prurido anal pode ter múltiplas causas: hemorróidas (veias inchadas no reto, que também podem causar dor no ânus ou perda de sangue), infeções (como fungos (como a candidíase), bactérias, vírus (como os condilomas) ou parasitas (como a sarna ou as lombrigas)), presença de fezes/secreções na pele em redor do ânus (pode acontecer em casos de diarreia), algumas comidas que irritam a pele e o ânus (como o café, chá, cerveja, chocolate, leite, tomates e citrinos, comida condimentada), doenças do ânus (como abcessos, fístulas, fissuras ou tumores) e doenças de pele (como a psoríase).

COMO SE ESTUDA?

O estudo do prurido anal começa por uma avaliação do ânus e pele em seu redor, assim como de toque retal. Pode ser necessária a realização de colonoscopia total (introdução de um aparelho com câmara para inspecionar o intestino grosso) ou estudo de infeções nas fezes.

COMO SE TRATA?

A abordagem do prurido anal começa por manter a pele e o ânus limpos e secos, sendo importante haver uma limpeza cuidada após cada ida à casa de banho: por exemplo, lavagem com água após cada dejeção usando sabão simples, secar bem a pele com toalha, podendo ainda aplicar pó de talco para manter a zona seca. É também importante o uso de roupa interior de algodão para evitar irritações da pele.

Podem ser utilizadas pomadas para a comichão, nomeadamente pomadas com cortisona, que devem ser aplicadas por um curto período de tempo (menos de 2 semanas) para evitar efeitos secundários. Também podem ser aplicadas pomadas cicatrizantes à base de óxido de zinco (como o Halibut®).

Se o prurido for maioritariamente durante a noite, pode ser benéfico a toma de medicamentos como anti-histamínicos.

Se o prurido estiver relacionado com algum alimento da dieta pode ser benéfico suspender o consumo desse alimento.

Se existir uma causa identificada para o prurido, como hemorróidas ou uma infeção, poderá ser feito um tratamento dirigido à doença em causa.

No caso de prurido anal refratário existem outros tratamentos, contacte o seu médico assistente para mais informações.

Síndrome do Intestino Irritável2020-05-28T18:14:19+01:00

O QUE É?

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma patologia crónica que afeta o tubo digestivo. Estima-se que afete mais de 1 em cada 10 adultos em todo o mundo e é mais frequente em mulheres.

A causa não é totalmente compreendida, mas sabe-se que resulta da interação entre o cérebro e o intestino. Fatores como alterações da motilidade intestinal, da microbiota intestinal, a hipersensibilidade visceral e o stress podem desempenhar um papel. A associação com patologias como a ansiedade e depressão é comum, apesar de estas não serem a causa da SII.

QUAIS OS SINTOMAS DA SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL?

A dor abdominal crónica e recorrente é o principal sintoma da síndrome, surgindo associada a alterações do trânsito intestinal, diarreia e/ou obstipação. Frequentemente ocorrem, também, sensação de distensão abdominal e gases. Os sintomas podem ter períodos de agravamento e de alívio e podem ser desencadeados por alguns alimentos e situações de stress.

COMO É FEIRO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é feito através da avaliação clínica pelo médico, não existindo nenhum exame específico para o diagnóstico da SII. Em alguns casos, o médico poderá ponderar a realização de estudos complementares para excluir outras doenças.

EXISTE TRATAMENTO PARA A SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL?

A síndrome do intestino irritável tem, habitualmente, um curso crónico e não existe nenhum tratamento eficaz para todos os doentes, devendo ser individualizado. A maioria dos doentes consegue um bom controlo dos sintomas com modificações no estilo de vida e alimentação, por vezes, com o apoio de fármacos e tratamentos psicológicos.

A prática de exercício físico regular e modificações na alimentação com aumento da ingestão de água e evicção de alimentos que possam desencadear os sintomas podem ser benéficos. O apoio de um Nutricionista pode ser útil.

Quando necessários, existem tratamentos farmacológicos seguros e eficazes para a SII. Estes podem ser dirigidos ao alívio da dor, como analgésicos e antiespasmódicos, ao tratamento da diarreia ou da obstipação, ou à modulação da microbiota intestinal, como probióticos ou antibióticos com ação local.

A SÍNDROME DO INTESTINO IRRTIÁVEL TEM IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA?

A síndrome do intestino irritável pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes afetados. A dor abdominal e as alterações do trânsito intestinal podem ser incapacitantes e condicionar absentismo laboral e procura frequente de recursos de saúde.

Relativamente ao prognóstico da SII, salienta-se que não tem risco de evoluir para cancro colorretal nem para doenças inflamatórias do intestino.